Mostra Síncrona no Memorial do Professor Aluísio Pimenta.

26 de agosto de 2016

O Memorial do Professor Aluísio Pimenta recebeu durante os dias do XXVI Congresso da ANPPOM a Mostra Síncrona com artista locais e estrangeiros. Sob a supervisão das curadoras Professora Celina Lage, Amanda Alves e Gabriela Carvalho.

Resenha Crítica
A mostra Síncrona, que acontece durante o congresso da ANPPOM, é uma experiência conectada com as particularidades dos acontecimentos simultâneos, conceito que trata de algo que se desenrola no âmbito temporal, também por isso as performances musicais têm grande representatividade em sua programação.
A música encontra sua representação na mostra através do Marx Marreiro Quarteto, numa viagem pelo tempo e pelos estilos através do acordeon e também pelo grupo BH Trompas, que desenvolve um trabalho representativo no estudo deste instrumento essencial na formação da orquestra sinfônica moderna.
As artes visuais incorporam-se ao seu corpus expositivo através do trabalho do artista Flavio CRO, que de forma pertinente ao conceito trabalhado na mostra apresenta um work in progress alinhavando a mostra a outros momentos de sua carreira como artista.
Além dele, Marco Scarassatti apresenta um trabalho que, embora encontre parte de sua realização na música, também incorpora elementos visuais na arquitetura dos instrumentos que utiliza em sua performance em Novelo Elétrico. O improviso, que é a base construtora da sua sonoridade aciona conceitos como a ação a partir do pensamento ou da emoção, que se manifesta na expressão sonora no momento presente e na originalidade da peça apresentada.
Outro ponto interessante a se destacar é a incorporação dos ensaios dos músicos Ravi Shankar Magno, Cliff Korman, Ana Cielo Guerra, Rodrigo Olivarez e Lucas Damasceno, que se apresentam no congresso, como parte da proposta expositiva. O ensaio, que se localiza num momento exterior à performance do músico, é apresentado como algo passível de contemplação ao se integrar ao evento da exposição de arte.
De certa forma nota-se que a experiência da simultaneidade é rica em atravessamentos e conexões que se materializam na mostra na forma destas incorporações que aconteceram ao longo do desenrolar da mostra, e que de forma determinante aciona a importância das possibilidades abertas pelos eventos síncronos.

Mostra Síncrona.
Síncrono é o que acontece ao mesmo tempo, o atual, o simultâneo e o contemporâneo. Para dar conta dos diversos significados que envolvem o conceito de sincronismo, a mostra foi concebida para ocorrer ao mesmo tempo que as outras atividades do XXVI Congresso da ANPPOM, no espaço do Memorial Professor Aluísio Pimenta, através de ações artísticas, performances musicais e visuais. As ações partem do princípio de que a arte não tem hora para acontecer e que os processos artísticos se desenrrolam ininterruptamente no presente, no aqui e agora, construindo espaços, paisagens e tempos únicos.

Curadoria
Celina Lage
Amanda Alves
Gabriela Carvalho

Artistas
BH Trompas (Gustavo Garcia Trindade, Isabelle Menegasse, José Francisco dos Santos, Lucas Filho, Otávio Marinho
& Priscila Viana)
O Quarteto BH Trompas é composto por Gustavo Garcia, José Francisco dos Santos, Lucas Filho e Priscila Viana e há dois anos tem se dedicado ao repertório original para essa formação. Tem feito apresentações em escolas públicas municipais e estaduais para crianças do ensino fundamental divulgando a trompa e sua utilização em quartetos.
O grupo teve papel fundamental no 1º recital de trompas mineiras que aconteceu no auditório da escola de música da UFMG com um repertório que explorou as formações com quatro, oito, doze e dezesseis trompas, e desde então se dedica também à organização de recitais com um grupo maior de trompistas. Nesta apresentação serão utilizadas as formações quarteto e sexteto.
Flávio CRO
Ação se constitui em uma pesquisa onde perguntas são dirigidas aos participantes sobre seus nomes e desejos durante os dias do evento. As respostas serão transcritas para uma folha de papel, que posteriormente ficará em exposição no Memorial Aloísio Pimenta. A proposta visa o embate direto e colaborativo com o público para transportá-lo de expectador a foco da ação, através do ato de expor os seus nomes e desejos, complementando a ação da pesquisa ao tornar público os seus resultados, bem como destacando esses desejos, esses sonhos. A expectativa é aproximar o ato da pesquisa de campo com o da pesquisa artística ao apropriar, mesclar e recriar suas metodologias, implodindo suas fronteiras.
Marco Scarassati
Novelo elétrico foi pensado como uma construção poética de espaços sonoros tendo como matriz a improvisação e a gravação processada com instrumentos musicais não usuais, inventados e objetos situados entra a música e as artes visuais. A apresentação tem como base o processo vivido na composição do álbum Novelo Elétrico (CS 275 – 2014).
A proposta parte da ideia de novelo, que é um emaranhado de fios que antecede a tecelagem, ou mesmo é posterior a ela, quando se organizam as sobras. Em princípio ele não é o objeto do fio, seu destino final, do ponto de vista do trabalho. Mas se constitui como uma forma, um quase objeto, que sempre depende da maneira com a qual é enrolado. Ascende ao estatuto de objeto-brinquedo pelo uso das crianças e felinos. No caso do CD e desta apresentação, a improvisação é um fio complexo esgarçado ao máximo de acordo com suas potencialidades. Essas potencialidades estão dentro de um âmbito ligado ao tempo, ao gestual, à textura, à corporeidade, ao timbre, ao ruído, ao sentido de profundidade e a uma qualidade de ambiência. Cada elemento sonoro é levado ao seu extremo.
Marx Marreiro quarteto (Marx Marreiro, Matheus Rodrigues, Lorena Golçalves & Paulo Cardoso)
A proposta do Marx Marreiro quarteto é explorar e resgatar as diversas características, propriedades e a beleza do acordeon. Instrumento forte e polivalente por natureza, por ser melódico, rítmico e harmônico o acordeon apesar de bem conhecido no nosso país, ainda se mantém restrito musicalmente por conta da sua imagem atrelada a poucos estilos musicais, a ideia deste projeto é justamente ilustrar o quanto esse instrumento é universal e como ele é usado ao redor do mundo.
O repertório do grupo resgata então esta diversidade estilística e riqueza musical do acordeon. O quarteto busca levar ao público a mescla de gêneros e estilos clássicos desse instrumento como o tango, a valsa e o baião, a guarânia e as belas canções populares que marcaram época neste instrumento mesclando isso com as novas concepções e tendências que influenciam a linguagem da música instrumental decorrentes do jazz e música brasileira, além de seus arranjos e composições próprias. O repertório é formado pelos ícones nacionais e internacionais do instrumento como Astor Piazzolla, Richard Gagliano, Toninho Ferragutti, Renato Borguetti, Carlos Gardel, Dominguinhos e de clássicos do Jazz norte americano.
Ravi Shankar Magno
Ensaio aberto do Duo (1957) e do Trio (1921) de Villa-Lobos. Estudos do Adagio e do Allegro de R. Schumman. Ravi Shankar Magno é Bacharel em Música pela UnB, especializou-se na Alemanha vindo a obter seu mestrado em Música pela UFMG. Integrou a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e outras importantes orquestras no Brasil e no exterior. Atualmente é doutorando em Performance Musical na UFMG e Professor efetivo de oboé da UFPB.
Cliff Korman, Ana Cielo Guerra, Rodrigo Olivarez, Lucas Damasceno
Ensaio aberto da peça Trio de Cordas 2+1=4 do compositor Ron Carter. Cliff Korman nasceu e estudou em New York nos Estados Unidos, tendo-se formado doutor em Música-Jazz Arts Advancement (Manhattan School of Music, 2012) e mestre em Música com Especialização na Jazz Performance (The City College of New York,1996). É Professor Adjunto da Universidade Federal de Estado de Rio de Janeiro (UniRio), tendo realizado muitas performances e CD’s de jazz brasileiro. Ele foi acompanhado dos músicos Ana Cielo Guerra, Rodrigo Olivarez e Lucas Damasceno.

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